Comprando caro para vender mais caro ainda

O termo que em tradução livre significa‘ roupa fato equipamento traje ’,  Outfit” implica em peças de roupa que a pessoa combina quando se veste para variados momentos e ocasiões, e pode, dentro dos limites de seu significado e da situação, ser usada para se referir a uma “costume” (fantasia) ou a uma “clothing” (indumentária, traje), como no português.

Pois bem, a palavra ganhou força após o famoso vídeo do “gordinho” viralizar nas redes sociais e conquistar o mundo dos memes. A publicação que leva o nome Quanto custa o Outfit?, reúne o depoimento de alguns jovens sobre a quantia gasta em cada combinação de roupa.

 

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Com camisetas que chegam a custar R$2.500 e tênis por R$6.100, as peças de marca exclusivas feitas por designers famosos são cada vez mais requisitadas.

Bem longe das promoções ‘Leve 3 e pague 2’, meninas e meninos se encontram em um evento em São Paulo, chamado SOLD OUT, para desfilar as últimas tendências do estilo streetwear.

O canal Hyped Content BR, na verdade queria, falar para o próprio público que aparecia no vídeo Quanto Custa o Outfit.

E, para quem conhece preços de marcas como Supreme, Off-White e Gucci, aquilo talvez não seja tão chocante. Só que o negócio viralizou tanto que rendeu uma série de respostas. No meio de tanta zoação típica da web, uma coisa acabou ficando escondida: o estilo street wear, que era o objeto de discussão inicial.

Veja o vídeo abaixo

 

 

A Obsessão pela supreme

Ralph Lauren tinha seus “Lo-Lifes”, um grupo de caras do Brooklyn que passou todo o começo dos anos 90 roubando o máximo de produtos Polo que conseguiam. Há muita gente apaixonada pelos tênis da Nike. Mas para os padrões da Supreme, essas são obsessões medianas — esses fãs são tipo torcedores paga-paus da torcida organizada da Supreme: moleques que passam madrugadas em filas e homens adultos que pagam uma grana preta por incenso vintage com a marca Supreme.

Esse fandom é basicamente uma nova subcultura que se forma. A maior página do Facebook para comprar, vender, trocar e conversar sobre a Supreme é a SupTalk, que, com quase 60 mil membros, supera em número várias tribos jovens menos povoadas, como os cyber góticos, por exemplo.

No grupo, você encontra as muitas denominações dos devotos da Supreme, de envelhecidos caçadores do hype a moleques ricos de 13 anos, skatistas, celebridades do Instagram e colecionadores da geração streetwear: caras (e são sempre caras) que compram todas as cores de um boné específico, todas as jaquetas da coleção Supreme x Stone Island, ou cada camiseta com o logotipo icônico da marca.

 

Antes de cada “drop day”, quando os novos produtos chegam às lojas, os membros do SupTalk discutem seus itens favoritos — a camiseta do Morissey, por exemplo, ou tênis de couro de cobra da colaboração entre Supreme e Air Max, lançado alguns meses depois da minha visita à loja.

Na internet, essas peças hypadas vendem em milésimos de segundo — por $130 [cerca de R$ 400], você paga por um “bot” que faz a compra da sua desejada peça assim que ela aparece na loja online — porque como a Supreme produz estoques limitados, quando o produto acaba, acaba mesmo.

Bom, até que a peça reapareça, na SupTalk ou no eBay, por um preço consideravelmente maior que o original. Alguns itens saem pelo dobro do que custavam na loja. Isso é especialmente verdade nos últimos anos, com o interesse cada vez maior pela marca. Uma jaqueta jeans rosa de $210 [cerca de R$ 790] da coleção Primavera/Verão 2016 foi arrematada por quase $3 mil [R$ 9.500] por um comprador de Quioto.

No Grailed, um site de revendas de roupas de marca, é fácil achar alguma peça mais antiga da Supreme pelo mesmo preço de uma passagem de avião de Londres a Bangkok.

Se antes os moleques privilegiados torravam o dinheiro dos pais em PlayStations e TV de plasma, agora eles se voltaram para a moda e estão pagando “proxies” para ficar na fila nos drop days e comprar um moletom de $170 para eles.

Mas o que está por trás de tamanha histeria? Por que as pessoas constroem altares para a Supreme em seus quartos sem a menor vergonha disso? Por que adolescentes estão comprando passagens de avião para buscar um pacote de cuecas? Que tipo de reação neuroquímica faz esses caras comprarem oito versões praticamente iguais da mesma camiseta cara? Por que, enfim, tanta gente é obcecada pela Supreme?

O hype é a razão mais citada: o burburinho ao redor da marca segue sustentando o burburinho ao redor da marca — o avistamento do Drake ou do Kanye usando Supreme é o que inspira as pessoas a praticamente falir quando as mesmas peças aparecem no eBay. Mas tem que ter uma razão maior.

O ser humano, o mais evoluído dos mamíferos, construtor de estações espaciais e do guarda-chuva para duas pessoas, não pode ser tão facilmente influenciável.

Da mesma maneira, se a pessoa se preocupa com o que é legal e descolado, então ela deveria perder o interesse na Supreme quanto mais popular ela se torna — ainda assim, a marca não parece estar perdendo fãs enquanto continua a crescer.

Você também pode argumentar que a marca simplesmente faz roupas legais e, para alguns, esse é o simples motivo para continuar apreciando a Supreme. Para outros, o nível de devoção só pode ser provocado por algo muito além do algodão e da linha.

Off White e seu cinto astronômico

O cinto da marca Off White leva o nome de “Industrial Belt”, e já virou peça de desejo! Infelizmente, porém, o preço não é tão acessível: é possível encontrar os modelos originais da marca Off White por mais de R$1.500.
cinto Industrial Off-White foi criado pelo designer Virgil Abloh e pertence à Off-White uma marca de luxo com uma pegada urbana. A proposta da marca é ser utilitária e, por isso, suas peças são versáteis e adaptáveis: você compra um item, e ele dura a vida inteira porque, além da qualidade ser boa, ele pode ter mais de uma função e também combinar com ambientes e estilos diferentes.
Há quem defenda que este é o caso do Off White Industrial Belt. Afinal, por ele ser versátil e usual, ele segue bastante a essência da moda masculina streetwear. Por outro lado, outra característica da proposta streetwear é a pegada democrática, e não dá para considerar um cinto tão caro algo extremamente democrático.
Mas, mesmo assim, muitas marcas de moda masculina streetwear são mais caras, como é o caso da Supreme, por exemplo. Então, a parte da democracia na moda de rua fica um pouco de lado quando o assunto é design e mercadoria.

Glossário do movimento “hype”

Hypebeast = homem que se veste com itens raros e exclusivos da moda streetwear;

Hypebae = mulheres que se vestem com itens raros e exclusivas da moda urbana;

Retail = preço pago de acordo com o sugerido pela loja;

Resale = preço pago de revenda, e pode ser até quatro vezes mais caro que o valor de retail;

Cop = a pessoa compraria o tênis;

Drop = a pessoa não compraria o exemplar (drop também pode significar lançamento de um modelo);

Resellers = pessoas comuns que fazem estoques de tênis raros e acompanham a bolsa de valores dos itens para vender em determinado período;

Quicksale = venda rápida de algum item.

O céu é o Limite

Em resumo, a consideração e reconhecimento de ter um objeto caro e raro, é sim um fenômeno em constante crescimento ainda mais no mercado brasileiro, o que choca as pessoas é que o país esta tentando se recuperar de uma crise que deixou mais de 12 milhões de desempregados, isso gera sim revolta por parte da massa.

Mas ao mesmo tempo a crise criou novos empreendedores em diversas áreas e em diversas partes do país. O movimento Outfit foi um desses setores, pois a uma busca sim de produtos “premium” e no meio disso foi surgindo lojas online, físicas que oferecem produtos em sua maioria importados com um custo alto.

Os grandes destaques são os sneakers assim como os tênis adidas mais caros de todos os tempos. Tênis e roupas com versões colaborativas são as mais procuradas e mais caras.

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