Por Entre Cafés e Museus 2ª Parte

Continuo hoje com o tema do último post.   Na França, as padarias, ou boulangeries como eles dizem, são verdadeiramente lojas de pão. Você entra na loja e se posiciona na fila esperando ser atendido. Chega a sua vez, você pede os pães e paga. Não existem mesas, é comprar e ir embora. É completamente diferente da nossa relação com a padaria no Brasil, onde tomamos café da manhã e comemos até sanduíches. Esse espaço é preenchido pelos cafés.

            Em um café pode-se pedir, além de uma enorme variedade de cafés, bebidas alcoólicas e algo para comer. Os franceses são fãs dos cafés à moda italiana, várias casas possuem máquinas italianas para moer o grão e fazer um café mais puro. Aquele que vos escreve, como é fã de cappuccino, cometeu o pecado de não provar todos os tipos que lhe vinham à frente ou que estavam disponíveis nos cardápios.

            As iguarias que são encontradas nesses cafés são infinitas. O meu preferido é o Pain au Chocolat, em tradução livre, pão de chocolate, com uma massa muito parecida à nossa massa folhada em forma de salgado assado, mas recheado de chocolate. Calórico, mas delicioso.

Uma das iguarias mais consumidas é o Croque Monsieur, que nada mais é que um sanduíche de queijo gruyère ralado e presunto de Parma, mergulhado em ovo batido no leite e dourado na manteiga. Acompanha bem tanto um belo chopp (sim, os franceses bebem chopp, sobretudo o belga, considerado grande concorrente do alemão) como um clássico vin rouge.

            Ir à França e não visitar os cafés é um pecado mortal. Há vários, três por quadra dependendo do bairro. Há os caríssimos, como o Café de la Paix, que fica em frente a Ópera de Paris, que serviu de inspiração ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Mas também há os mais baratos. O Café de Flore no bairro Montparnasse é um que não é tão caro, e é muito famoso, pois era freqüentado assiduamente por nada menos que Jean-Paul Sartre, o filósofo existencialista.

Recomendo aos fãs de cinema visitar o Café les Deux Moulins, que fica a duas quadras do Moulin Rouge. O estabelecimento ficou famoso por ser locação no filme cult francês do século XXI O Fabuloso Destino de Amelie Poulain. É belíssimo e não tão caro.

            Em Lyon, sede da grande cozinha francesa, os cafés são chamados de bouchons, que tem uma cara mais parecida a um bistrô, mas igualmente genial. Não importa o nome, o negócio é visitar e se deliciar. Pode até ser que na mesa ao lado esteja um filósofo, um escritor, um músico ou um pintor ainda desconhecido. Nunca iremos saber. Essa também é uma das graças desses cafés.

O fabuloso destino de Amelie Poulain


Para saber mais sobre o Café de Flore

Para acompanhar um poema erótico de Luigi Ricciardi sobre um café francês
(Atenção! O poema a seguir contém cenas de sexo e palavras de baixo calão)

Luigi Ricciardi

Luigi Ricciardi

Luigi Ricciardi, professor do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UEL (Universidade Estadual de Londrina/PR), graduado no Curso de Letras Português/Francês (UEM – Maringá/PR), mestre em Estudos Literários (UEM – Maringá/PR), doutorando em Estudos Literários (UNESP – Araraquara/SP), escritor – pseudônimo de Luigi Ricciardi. Obras: Anacronismo moderno (2011), Notícias do submundo (2014) e Criador e Criatura (2015).

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